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**Mellíss**
Verônica nasceu em Angola, que é considerado o pior lugar do mundo para alguém nascer. Verônica tinha olhos enormes, boca de anjinho, nariz de boneca, cabelo enrolado, típico querubim barroco. Verônica tinha dois anos de vida, tinha mãe e tinha pai, era amada e, se tivesse uma chance, se vencesse a fome e a indiferença que varrem o mundo, certamente seria uma moça linda, doce filha das terras angolanas.
Entretanto, não foi assim que se deu ...
Um dia, sem outras razões senão a ira desenfreada e um ódio sem limites, um homem mau entrou na casa de Verônica e atirou na mãe dela. A mulher, que segurava a criança nos braços, teve o corpo trespassado pela bala que, num impacto brutal, acabou saindo pelas costas da menina.... Só quem viu seu olhar incrédulo, seu espanto mudo, a perplexidade daquela garotinha linda, entendeu porque a maldade do mundo se alimenta da desesperança .... Confesso que chorei, e ainda choro, sempre que escrevo ou falo sobre ela... Telespectadora do horror, vi quando a equipe médica colocou seu corpo pequenino sobre a maca metálica, tentando salvá-la a qualquer custo. Ainda pude ouvir seu choro de bebê, sua última expressão de vida ... .
Verônica-menina-anjo-pretinha-linda não resistiu, foi ficar entre as estrelas que enfeitam os céus da África.
Não bastasse a fome que certamente já enfrentava, as doenças e as desgraças que a miséria acarreta, o desrespeito das lutas raciais daquele país, Verônica levou em suas costas as marcas da covardia dos verdadeiros assassinos, aqueles que se escondem em máscaras de omissão, pois há muitas formas de matar, usando os outros ...
Uso Verônica como uma bandeira para falar das crianças de todo o mundo, inclusive das nossas crianças brasileiras, filhas da fome e do esquecimento, sombras perdidas nas esquinas imundas, expostas aos perigos impunemente.
Lancemos um olhar para as noites pontilhadas de estrelas !
- Quantas delas não serão outras Verônicas, anônimas, vítimas da Paz que o homem teima em manchar de lágrimas e sangue ?
- Quantas delas não serão outras vítimas das leis que pregam que cada um é por si, nenhum por todos ?
- Quando é que vamos lembrar que Deus nos fez lanterneiros, esperando apagar as trevas ?
Se a história de Verônica tocou sua alma, sua morte não terá sido em vão.
Pense: Neste exato momento, em muitos lugares do mundo, mais perto do que você pensa, a maldade está se alimentando da vida nossas crianças... E enquanto a maldade come, o egoísmo avança ... .
http://www.meninadalua.com.br
Conta a lenda que na morada do Criador existe um imenso jardim, chamado de Jardim de Valhala. Neste jardim, onde o tempo não vigora, e um minuto e a eternidade convivem no mesmo momento, ficam os espíritos bons, escolhidos pelo Altíssimo, aguardando a hora de serem enviados à Terra para cumprirem sua missão.
No Jardim de Valhala dois espíritos, um chamado Danjar e outro chamado Kandata, ficaram por tempos e tempos, surgindo um amor profundo entre ambos. Um amor puro, fraternal, que os unia com uma força superior à própria força do amor.
Danjar e Kandata estavam sempre juntos. Um era a alegria do outro, e, por um fenômeno que o mero conhecimento humano não explica, um brilho descomunal reluzia sobre os dois quando estavam lado a lado.
A alegria que os dois espalhavam contagiava os demais espíritos e os dois transformaram-se na essência do jardim.
Um dia, Danjar foi enviado à Terra. Kandata, à princípio, ficou muito feliz em saber que o seu inseparável companheiro tinha, finalmente, sido enviado para cumprir sua missão, porém, aquela alegria de primeiro momento foi se tranformando em uma tristeza profunda.
O Jardim de Valhala, de um instante para o outro passou a não ter mais sentido. Nada mais tinha sentido. Até o brilho de Kandata foi morrendo e ela passou a ser a imagem viva da dor. Os outros espíritos de tudo fizeram para que a alegria de Kandata voltasse e nada conseguiram.
A dor de Kandata era tão profunda que os outros espíritos, compadecidos de seu sofrimento, resolveram enviá-la à Terra, mesmo sem ser a hora certa, para que ela pudesse procurar e encontrar Danjar, e, se possível levá-lo de volta ao jardim.
Tomando Deus conhecimento da rebeldia de Kandata, deu-lhe um castigo. Ainda que ela estivesse na Terra, nunca encontraria Danjar, vez que ele estaria sempre em lugar diferente do dela e ela jamais poderia trazê-lo de volta ao Jardim de Valhala.
Kandata então, em um gesto desesperado, dividiu seu amor em infinitos pedaços e implantou cada pedaço em um novo espírito que viesse à Terra, pois assim, não só ela, mas centenas de espíritos procurariam por ele e algum poderia encontrar Danjar. Cada um deles levava parte do amor dela, um dia uma parte dela estaria junto daquele que ela tanto amava.
Kandata dividiu-se e dividiu-se tanto, que dela nada mais restou senão a lembrança. Assim, quando duas pessoas se encontram e sem qualquer explicação, um laço profundo de amor surge entre ambos, é um pedaço do amor de Kandata que encontrou na outra pessoa, um pedaço do brilho de Danjar.
(Maktub)
Emy era uma linda menina de 3 aninhos de idade. Ela morava em algum lugar dos EUA, em frente ao mar. Sua família era cristã. Eles iam todos os domingos à igreja e faziam cultos domésticos... Emy era muito feliz! Ela amava sua família e admirava os olhos azuis de seu pai, sua mãe e seus irmãos. Todos na casa de Emy tinham olhos azuis.
Todos...MENOS EMY!!! O sonho de Emy era ter olhos azuis como o mar... Ah! como Emy desejava isso!!!!
Um dia, na escola dominical, ouviu a "tia" dizer: "DEUS RESPONDE A TODAS AS ORAÇÕES!" Emy passou o dia todo pensando nisso... À noite, na hora de dormir, ajoelhou ao lado da sua cama e orou: "Papai do Céu, muito obrigado porque você criou o mar que é tão bonito! Muito obrigado pela minha família. Muito obrigado pela minha vida! Gosto muito de todas as coisas que você fez e faz! Mas... gostaria de pedir... por favor... quando eu acordar amanhã, quero ter olhos azuis como os da mamãe! Em nome de Jesus, amém".
Ela teve fé. A fé pura e verdadeira de uma criança. E, ao acordar, no dia seguinte, correu para o espelho.Olhou...e qual era a cor de seus olhos?... CONTINUAVAM CASTANHOS!!
Por que Deus não ouviu EMY? Por que não atendeu ao seu pedido? Isso teria fortalecido sua fé?
Bem...naquele dia, Emy aprendeu que NÃO também era resposta! A menininha agradeceu a Deus do mesmo modo... mas...não entendia...só confiava. Anos depois, Emy foi ser missionária na Índia. Ela "comprava crianças para Deus" (as crianças eram vendidas por suas famílias - que passavam fome - para serem sacrificadas no templo, e Emy as "comprava" para libertá-las desse sacrifício). Mas, para poder entrar nos "templos" da Índia, sem ser reconhecida como estrangeira, precisou se disfarçar de indiana: passou pó de café na pele, cobriu os cabelos, vestiu-se como as mulheres do local e entrava livremente nos locais de venda de crianças.
Emy podia caminhar tranqüila em todo "mercado infantil", pois aparentava ser uma indiana. Um dia, uma amiga missionária olhou para ela disfarçada e disse: "Puxa, Emy! Você já pensou como você faria para se disfarçar se tivesse olhos claros como os de todos da sua família? Que Deus inteligente nós servimos... Ele lhe deu olhos bem escuros, pois sabia que isso seria essencial para a missão que lhe confiaria depois!!!"
Essa amiga não sabia o quanto Emy havia chorado na infância por não ter olhos azuis... Mas Emy pôde, enfim, entender o porquê daquele "não" de Deus há tantos anos!
Bem...O que eu queria dizer com essa longa e bonita história? Apenas dizer que DEUS ESTÁ NO CONTROLE DE TUDO! Ele conhece cada lágrima que já rolou do canto dos seus olhos... Ele sabe que, talvez, você quisesse ''olhos de outra cor''... Ele ouve, sim, TODAS as orações... Mas Ele as reponde de modo sábio! Não precisa chorar se seus olhos continuam castanhos... ou se você ainda não foi atendida (o) como gostaria.
DEUS TEM O CONTROLE DE TUDO!
Tenha sempre esta certeza no seu coração!
QUE DEUS NOS DÊ SABEDORIA PARA PODERMOS ENTENDER E ESPERAR SUA RESPOSTA.
(Maktub)
**Paula Fernandes
Composição: Paula Fernandes e Maurício Santini
De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita
Do regalo de terra que o teu dorso ajeita
E dorme serena, no sereno sonha
De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita
Do mato, do medo, da perda tristonha
Mas, que o sol resgata, arde e deleita
Há uma estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações
Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar
Ah..Ah...Ah...
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar
Ah..Ah...Ah...
Ee La Ia
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Ouça a música: (desligue a música do Blog)
http://www.radio.uol.com.br/musica/Paula%20Fernandes/Jeito%20de%20Mato/184219?action=search
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Para se roubar um coração é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa. Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança. É necessário que seja com destreza, com vontade , com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco. Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração. Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por quê? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
...e se em algum momento chegar a hora da partida, as coisas vão complicar, alguém terá que partir sem o seu coração, pois quem roubou não aceitará fazer a devolução.
Vão tentar negociar, subornar, chantagear, tantas coisas... mas o ladrão não cederá, não poderá haver devolução porque um coração se consolidou junto ao outro e estarão num cantinho impenetrável que ninguém conseguirá alcançar.
.....e é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém.... é simples..... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, seqüestrados, furtados... e jamais quem os levou aceitou fazer a devolução, nem mesmo... sob ordem de prisão!!!
Esse texto é dedicado a todas as pessoas que em algum momento de suas vidas tiveram seus corações roubados e nunca mais conseguiram recuperá-los.
**Silvana Duboc**
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® Silvia Schmidt
Se algum dia eu soubesse que nunca mais veria você...
eu lhe daria um abraço mais forte.
Se eu soubesse que seria a última vez a ver você...
eu lhe daria um beijo e o chamaria para dar mais um.
Se eu soubesse que seria a última vez a ouvir a sua voz....
eu gravaria cada movimento e cada palavra,
para revê-los depois todos os dias.
Se eu soubesse que seria a última vez que eu poderia parar
mais um ou dois minutos para dizer-lhe: "gosto de você"...
eu diria, ao invés de deixar que você presumisse.
Se eu soubesse que hoje seria o último dia a compartilhar com você...
o sentiria muito mais intensamente em vez de
deixá-lo simplesmente passar.
Sempre acreditamos que haverá o amanhã para corrigir um descuido...
para ter uma segunda chance de acertar.
Será que haverá uma chance para dizer:
" Posso fazer alguma coisa por você"?
O amanhã não é garantido para ninguém,
seja para jovens, ou mais velhos,
e hoje pode ser a última chance de abraçarmos aqueles que amamos.
Então, se estamos esperando pelo amanhã, por quê não agirmos hoje?
Assim, se o amanhã nunca chegar,
não teremos arrependimentos de não termos aproveitado
um momento para um sorriso, para um abraço, para um beijo,
uma gentileza, porque estávamos muito ocupados
para dar a alguém o que poderia ser o seu último desejo.
Abracemos hoje aqueles que amamos, sussurremos em seus ouvidos,
dizendo-lhes o quanto nos são caros e que sempre os amamos.
Encontremos tempo para dizer:
" Desculpe-me", "Perdoe- me",
" Obrigado", "Eu perdôo você".
Sempre há tempo para amarmos e se não houver amanhã,
também não haverá remorsos de hoje para carregarmos.
Pense nisso AGORA...
.
Maio de 2009, numa cidade litorânea do RS, muito frio e mar agitado, a cidade parece deserta... Os habitantes, endividados e vivendo as custas de crédito. Por sorte chega um viajante rico e entra num pequeno hotel.
O mesmo saca duas notas de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto. Enquanto o viajante vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com as duas notas de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro.
Este, pega as duas notas e vai até um criador de suínos a quem deve e paga tudo. O criador, por sua vez, pega também as duas notas e corre ao veterinário para liquidar sua dívida.
O veterinário, com a duas notas em mãos, vai até a zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito). A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde, as vezes, levava seus clientes e que ultimamente não havia pago pelas acomodações, e paga a conta.
Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede as duas notas de volta, agradece e diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade.
Ninguém ganhou nenhum vintém, porém agora toda a cidade vive sem dívidas e com o crédito restaurado, e começa a ver o futuro com confiança!
MORAL DA HISTÓRIA: Quando o dinheiro circula, não há crise!!!
(Presente de Cristina-RS)
**Martha Medeiros
Estranho, pra mim, era um cara que usasse óculos escuros à noite, tivesse um bruta cicatriz ao lado da orelha e uma faca ensanguentada entre os dentes.
Pouco lembro do apartamento onde passei minha infância, mas não esqueci nada da rua onde morava, das casas vizinhas, do quarteirão inteiro onde eu brincava desde o início da tarde até o início da noite e, por vezes, inclusive à noite. Naquela época não havia medo de assaltos, de atropelamentos, de sequestros relâmpagos: a gente pegava a bicicleta e saía com a maior liberdade, sem pânico nem neuras, o oposto do que acontece hoje, quando as crianças só podem brincar dentro do prédio, em prisão domiciliar.
Porém, mesmo com liberdade, havia um perigo rondando. Você deve lembrar o que nossos pais buzinavam em nossos ouvidos a cada vez que abríamos a porta de casa para sair: Não dê conversa a estranhos. Mais uma vez, é o oposto do que acontece hoje. Trancafiados em casa, com as bicicletas enferrujando na garagem, não se faz outra coisa a não ser dar conversa a estranhos.
Quando menina, eu me perguntava: o que será que eles (os adultos) querem dizer com "estranho"? Estranho, pra mim, era um cara que usasse óculos escuros à noite, tivesse um bruta cicatriz ao lado da orelha e uma faca ensanguentada entre os dentes. Mas estranho, pra eles, ia além: era qualquer um que a gente não conhecesse. Podia ser o pároco do bairro: um estranho. Corra!
Assim que tive idade para diferenciar conhecidos e estranhos, acolhi ambos. De um lado, me apegava às amigas do colégio, todas falando igual, vestindo igual, pensando
igual e usando o mesmo cabelo: nada como reforçar nossa identidade. De outro, queria saber como era viver em outro país, ter experiências diferentes das minhas, outros costumes. Os livros e o cinema alimentavam essa minha curiosidade, mas não bastava. Então me inscrevi num programa de intercâmbio de correspondências e acabei fazendo amizade com a Julie, que morava no interior da Inglaterra, com o Carlos, que morava no México, e com a Michelle, que morava na Nova Zelândia. Trocávamos fotos, falávamos da nossa vida pessoal, contávamos segredos que atravessavam oceanos, tudo em cartas escritas ora em inglês, ora em espanhol, e quando ninguém se entendia, desenhava-se. O que foi feito deles? Não faço a mínima ideia. Mas foram esses estranhos que ampliaram um pouco os meus horizontes e deram sabor de aventura à minha adolescência.
Aí a gente cresce e inventam um troço chamado computador. E os pais somos nós! Conscientes das nossas responsabilidades, batemos à porta do quarto das crianças e damos sequência à tradição, alertando-os: "Não dê conversa a estranhos".
Quá, quá, quá.
Afora as orientações inevitáveis contra pedófilos e mal-intencionados em geral, é preciso relaxar: ninguém com mais de 10 anos evita estranhos, ao contrário, eles são buscados freneticamente no MSN, no Facebook, no Twitter, no Orkut, onde todos se expõem, transformando o mundo num gigantesco albergue coletivo. Uma versão ligeiramente mais abrangente e instantânea do que aquele meu programa de correspondência internacional.
Jamais pedi atestado de bons antecedentes para quem não conheço. Estranho é mau? Estranho é pior do que a gente? Se devemos ter vigilância com nossos filhos – e devemos mesmo – é preciso também controlar a paranoia e não surtar por eles trocarem ideias com quem nunca viram antes, e provavelmente jamais verão. Dar conversa a estranhos não significa dar o endereço, o telefone e a senha do banco. Pode ser apenas um bate-papo divertido. E só pra lembrar: estranhos, somos todos.
O ano é 2.209 D.C. - ou seja, daqui a duzentos anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?
A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:
– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.
Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando alguns dirigentes colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos inimigos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.
– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?
– Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais...
(Autoria Desconhecida - Provavelmente um pobre e antigo ex-professor anônimo)
(Presente de Maria Carolina)
NR: Se puderem, leiam aos seus netos, quem sabe daqui a alguns anos ainda se lembrarão desta antiga profissão!!!
do livro “Doença de Alzheimer - Vivências e Cuidados de Lilian Alicke
Junto com meu testamento, no qual lego a meus filhos e amigos a minha vontade de viver e meu amor a Deus e a toda a criação, faço um pedido: se, por ventura, no meu cérebro a senilidade penetrar sorrateiramente, a demência se infiltrar inesperadamente e o esquecimento, a falta de lucidez e a confusão se intalarem, por favor, lembrem que:
. eventualmente, ainda tenho uma vaga idéia de minha identidade;
. gosto de ser chamada pelo meu nome, aquele que meus pais me deram;
. posso ainda saber onde estou e com quem estou;
. posso estar gostando ou não de onde estou e com quem estou;
. faço ainda questão de usar aquele tipo de sapato que toda a minha vida usei;
. gosto ainda de usar a roupa ao estilo que sempre preferi;
. a roupa dos outros colocada em mim me entristece;
. a falta de atenção em me ajudar na higiene pessoal me traz ansiedade;
. a comida de um estilo que não conheço não me apetece;
. as fraldas que vez em quando me incomodam e me deixam envergonhada;
. gostaria, às vezes, de caminhar para espairecer e ver a natureza;
. receber uma palavrinha me faz lembrar que sou gente;
. receber visitas me diz que ainda pertence;
. receber um abraço e um beijo me diz que alguém ainda tem afeto por mim;
. a falta de sono não é proposital, nem intencional;
. a falta de interesse está além do meu controle;
. minha falta de jeito é inexplicável para mim mesma;
. o esquecimento me deixa traumatizada;
. tenho dores que às vezes não posso contar;
. nem sempre o que me fazem fazer é o que eu gostaria de estar fazendo;
. meu olhar vago não reflete o que sinto;
. e se não dou um abraço é porque os meus braços não me obedecem mais;
. se não dou um beijo é porque meus lábios não sabem mais o que fazer;
. se não te digo que valorizo sua dedicação e seu amor é porque a ponte se partiu e perdi o caminho que me levaria a compartilhar meus sentimentos com você.
UM SER HUMANO QUE ENVELHECE …
Nota:
O Mal de Alzheimer, ou Doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer é a forma mais comum de demência. Esta doença degenerativa, até o momento incurável e terminal foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. Esta doença afeta geralmente pessoas acima dos 65 anos, embora o seu diagnóstico seja possível também em pessoas mais novas do que esta idade.
Cada paciente de Alzheimer sofre a doença de forma única mas existem pontos em comum, por exemplo o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de stress. Quando é suspeitado Alzheimer o paciente é submetido a uma série de testes cognitivos. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade. As suas funções motoras começam a perder-se e o paciente acaba por morrer. Antes de se tornar totalmente aparente o Alzheimer vai-se desenvolvendo por um período indeterminado de tempo e pode manter-se invisível durante anos.
(Enviado pela Bethy-SP)